Chá Verde – Conheça os Benefícios Comprovados Cientificamente

Chá Verde – A planta utilizada na produção do Chá é a Camellia sinensis (C. sinensis) cultivada na Chi- na (principal produtor, que faz uso do chá há cerca de 3.000 anos), além de Índia, Japão, Tailândia, Sri Lanka e Indonésia.

O CHÁ NA CHINA

Na China, o chá é um forte elemento de identidade nacional, que mistura a história e a lenda, perdendo-se em memórias anteriores ao próprio reconhecimento histórico dos chineses como um povo.

Fala-se em cinco mil anos, mas não existem documentos ou provas de tão longínqua era.

O chá faz parte da vida na China desde os tempos ancestrais, fato comprovado pela tradição oral, por documentos e outras formas de registro.

Curiosa é a enumeração que inclui o chá entre os “sete tesouros” dos literatos, ao lado da cítara, do xadrez, da caligrafia, da pintura e do álcool; faz parte também das “sete necessidades” da vida diária, junto com a lenha, o arroz, o óleo, o sal, o molho de soja e o vinagre.

A sutileza do chá está no mesmo nível daquilo que a estética chinesa considera essencial em qualquer obra de arte. Associa-se à noção de harmonia e tem laços com a filosofia, a religião, enfim, com a maneira chinesa de ver o mundo.

Lu Yu, no “Clássico do Chá”, dizia:

“Ao se consagrar ao chá, impregnando-se de sabedoria, de princípios morais, de virtude, por meio do chá cultivando sua natureza e desenvolvendo uma boa conduta, refletindo sobre a existência, medita-se e busca-se a verdade, de modo a encontrar o bem-estar espiritual e a pureza moral, atinge-se o reino superior do chá: o caminho do chá”.

Existem diferenças e hierarquizações, associando o modo de consumir o chá (puro ou misturado com outros ingredientes) ao nível de evolução do indivíduo no “caminho do chá”.

Fatores práticos como a qualidade da água, das folhas, dos utensílios, a habilidade no preparo, aliados às dimensões espirituais, tornam o “caminho do chá” (cha dao) uma ciência e uma arte.

“Água e fogo não se toleram, mas, no preparo do chá, não apenas eles se toleram, mas se aproveitam um do outro”.

O CHÁ NO JAPÃO

Na cultura japonesa, o uso do chá apresenta particularidades que distinguem esse costume do que é praticado na China.

O chá se tornou conhecido no Japão por causa do intercâmbio entre monges budistas, que iam à China para estudar e que atuavam como um tipo de embaixadores.

Tornou-se com o tempo popular nos mosteiros, entre os monges, para ajudá-los a se manter acordados durante a vigília do zazen (meditação sentada).

Com base nos ensinamentos do zen-budismo, o Caminho do Chá é conhecido no idioma japonês como sadô, shadô ou chanoyu e representa, mais que uma cerimônia, uma filoso- fia existencial que tem influenciado o estilo de vida japonês.

Seu princípio, conhecido como wabi, pode ser traduzido como desapego, singeleza e desprezo pelo desnecessário.

A cultura japonesa tem sido acolhida com muita simpatia no Brasil. Descendentes ou não de orientais, muitos brasileiros são adeptos da culinária japonesa, ou se interessam pela filosofia Zen e pelos segredos da cerimônia do chá.

O chá verde é um item presente em praticamente todas as dietas, seja por sua capacidade de reduzir o inchaço ou por seu efeito de saciedade, ele é um item aconselhado por quase todos os médicos.

CHÁ VERDE COMO ALIMENTO FUNCIONAL

Alimentos funcionais são aqueles que, além de suas qualidades nutricionais básicas, contêm substâncias que ajudam a diminuir os riscos de algumas doenças crônicas.

Essas substâncias, conhecidas como bioativas, são consideradas promotoras de saúde, capazes de influenciar na qualidade e na expectativa de vida das pessoas.

Na área de pesquisa com alimentos funcionais, a Camellia Sinensis tem merecido ampla investigação, graças ao seu conteúdo específico de flavonóides, que estão entre as mais importantes substâncias bioativas estudadas atualmente.

OS BENEFÍCIOS DO CHÁ VERDE COMPROVADOS CIENTIFICAMENTE

OS BENEFÍCIOS DO CHÁ VERDE COMPROVADOS CIENTIFICAMENTE

1 – Ação antioxidante

A propriedade antioxidante do chá verde é tida como o principal fator contribuinte na prevenção e no tratamento de doenças cronico-degenerativas como doenças cardiovasculares e diabetes mellitus, da mesma forma como do câncer.

Esta ação antioxidante se manifesta basicamente na estabilidade obtida pela transferência de elétrons para as espécies reativas de oxigênio, o que permite formar com os radicais livres capturados um radical flavínico menos reativo.

2 – Ação antiinflamatória

Para testar a hipótese de que o chá verde poderia ser um agente preventivo para doenças inflamatórias crônicas, foram utilizados diferentes experimentos de laboratório que apontaram positivamente, com resultados satisfatórios na prevenção de doenças como infecções pulmonares crônicas e processos cancerígenos.

Por outro lado, cientistas pesquisadores dos efeitos anti-inflamatórios do chá verde verificaram que os polifenóis são capazes de reduzir os processos inflamatórios da artrite asséptica (que ocorre depois de uma infecção extra-articular) e que o consumo do chá verde pode ser indicado como profilaxia nos casos de artrite inflamatória, pois reduz a inflamação da cartilagem articular.

3 – Ação anticancerígena

Estudos de laboratório descobriram que os compostos ativos encontrados no chá verde podem desencadear a apoptose em leucemia e outros tipos de células cancerosas. Eles atuam como antioxidantes, protegendo as membranas das células e o DNA de danos provocados pelos radicais livres.

O consumo regular de chá verde apresenta relação inversa com o risco de vários tipos de câncer.

É o que se verifica pela baixa incidência de câncer de próstata e de mama nas populações asiáticas, atribuída ao consumo de chá verde (catequinas) e produtos derivados de soja (genisteína), de acordo com estudos de epidemiologia envolvendo japoneses e populações chinesas.

Esses resultados mostram a importância dos alimentos funcionais que apresentam atividades de quimioprevenção.

4 – Auxílio no controle de doenças cardiovasculares

O chá verde é reconhecido por seus efeitos cardioprotetores; estudos e pesquisas científicas comprovam que seu consumo regular reduz os níveis de colesterol plasmático e a agregação plaquetária, regula a pressão arterial sistêmica e protege as lipoproteínas LDL da oxidação. As ações benéficas do chá verde sobre o sistema vascular se devem aos compostos bioativos (catequinas), cujas atividades funcionais incluem uma potente ação antioxidante.

5 – Auxílio no controle do diabetes

O consumo de alimentos ricos em polifenóis está associado com o controle de desordens metabólicas.

Os alimentos funcionais e seus compostos bioativos são considerados como uma nova abordagem para a prevenção e controle do diabetes e suas complicações.

Devido às suas propriedades biológicas, os polifenóis podem ser adequados nutracêuticos e tratamentos suplementares para vários aspectos do diabetes mellitus.

Polifenóis são compostos fitoquímicos naturais em alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes, grãos integrais, cereais, legumes, chá, café, vinho e cacau.

Já foram identificados nos alimentos mais de 8.000 compostos polifenóicos.

Os polifenóis apresentam efeito hipoglicemiante, atribuído principalmente à redução da absorção intestinal de carboidratos, estímulo da secreção de insulina, e às suas propriedades antioxidantes e antiinflamatórias.

Polifenóis do chá verde, principalmente catequinas e epicatequinas, demonstraram atenuar a hiperglicemia e a produção de glicose hepática.

Estudos confirmam que os compostos polifenólicos atenuam vários fatores de risco cardiovascular em diabetes e regulam a pressão arterial.

Os polifenóis efetivamente atenuam o estresse oxidativo, promovem o sistema de defesa antioxidante endógeno e modulam o equilíbrio oxidante/antioxidante.

Polifenóis – compostos bioativos encontrados nos vegetais;

Catequinas – fitonutrientes da família dos polifenóis, presentes de forma natural em alguns alimentos, têm ação antioxidante.

6 – Auxílio no controle de peso

De acordo com o relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura uma a cada oito pessoas no mundo ainda passa fome, ou seja, foi estimado que entre 2011 e 2013 existia um total de 842 milhões de pessoas no mundo que ainda sofriam de desnutrição crônica, não recebendo regularmente comida suficiente para conduzir uma vida ativa (FAO, 2013).

Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde afirma em relatório que, a cada ano, mor- rem cerca de 2,8 milhões de pessoas devido ao sobrepeso e a obesidade.

A prevalência mundial de obesidade vem aumentando rapidamente; na região das Américas, o sobrepeso atingiu 62% para ambos os sexos e a obesidade 26% (WHO, 2012).

A obesidade é caracterizada por acúmulo excessivo de gordura e aparece como a causa principal de doenças crônicas, como o diabetes mellitus tipo 2, a hipertensão arterial e o colesterol alto (WHO, 2008; Carvalho et al., 2006; Douglas, 2002).

Muitas pessoas buscam mudar seus hábitos de alimentação, o que inclui a procura por alimentos funcionais, pensando em uma vida mais saudável, evitando diversos problemas de saúde, como a obesidade.

Assim, é relevante constatar que certas substâncias encontradas nos alimentos podem estar relacionadas à perda de peso. Dentre essas substâncias, o chá-verde é um dos mais importantes alimentos indicados para esse fim.

Grande aliado da saúde, o chá-verde é rico em flavonoides, uma substância antioxidante que ajuda a neutralizar os radicais livres responsáveis pelo envelhecimento celular precoce.

O produto também está associado à diminuição das taxas de colesterol e à ativação do sistema imunológico. Mas não são somente essas as qualidades desse tipo de chá.

O chá verde demonstra ser um importante auxiliar na prevenção e no tratamento da obesidade.

Embora a quantidade diária de chá não esteja ainda bem estabelecida, pesquisas científicas comprovam que o benefício do chá verde deve-se à presença de polifenóis, como a catequina.

Tais pesquisas confirmam que o chá verde é, sem dúvida, uma importante ferramenta no controle da obesidade, mas não elimina a necessidade de uma dieta hipocalórica associada a exercícios físicos.

7 – Efeito positivo no aumento da densidade mineral óssea.

Constata-se uma associação do consumo de chá verde ao aumento e manutenção da densidade mineral óssea, protegendo contra o risco de fraturas no quadril, comum entre pessoas idosas.

Estudos demonstram que o chá verde brasileiro apresenta maior quantidade de compostos fenólicos em comparação com o de outros países, fator atribuído ao solo e ao clima.

FORMAS DE PREPARO DO CHÁ VERDE

No Brasil, o cultivo do chá (Camellia sinensis, var. assamica) é restrito ao Vale do Ribeira, no Estado de São Paulo.

O modo mais comum de comercialização é feito utilizando os sachês (saquinhos de papel de filtro).

Quanto ao seu preparo, os dados obtidos em pesquisas científicas indicam que:

  1. para total proveito das suas propriedades antioxidantes, o chá verde brasileiro deve ter um tempo de infusão de no mínimo cinco minutos, sob agitação leve e a granel;
  2. o acondicionamento em sachês reduz a extração dos compostos bioativos do chá;
  3. a bebida preparada mostrou-se estável durante armazenamento em temperatura ambiente ou em geladeira, por um período de 24 horas. Recomenda-se, portanto, preparar o chá, mantê-lo em geladeira ou em temperatura ambiente e consumir ao longo do dia.

REFERÊNCIAS

Alterio AA, Fava DAF, Navarro F. Interação da ingestão diária de chá verde (Camelia sinensis) no metabolismo celular e na célula adiposa promovendo emagrecimento. Re- vista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo, 2007.
Manfredini V, Martins VD, Benfato MS. Chá Verde: benefícios para a saúde humana.
Nishiyama MF, Costa MAF et al. Chá verde brasileiro (Camellia sinensis var assamica): efeitos do tempo de infusão, acondicionamento da erva e forma de preparo sobre a eficiência de extração dos bioativos e sobre a estabilidade da bebida. Ciênc. Tecnol. Aliment., Campinas, 2010.
Oliveira RMM. Chá Verde na prevenção das doenças cardiovasculares. Ciências Saúde. 2009.
Schmitz W, Saito AY, Estevão D. O chá verde e suas ações como quimioprotetor. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, 2005.
Senger AE, Schwande CHA, Gottlieb MGV. Chá verde (Camellia sinensis) e suas propriedades funcionais nas doenças crônicas não transmissíveis. Scientia Medica, Porto Alegre, 2010,

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